19/05/2026
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Filme de Bolsonaro custa R$ 65,7 mi; 90% bancado por preso

Filme de Bolsonaro custa R$ 65,7 mi; 90% bancado por preso

A produtora GoUp, responsável pelo filme “Dark Horse” sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que o orçamento já realizado da obra é de cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões. A informação foi dada pela dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.

Mais de 90% desse valor foi bancado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e é investigado por fraudes bilionárias na instituição. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já admitiu ter recebido de Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para “patrocinar” o filme, o que representa aproximadamente 92% do orçamento atual.

Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou mensagens de texto e áudio entre Flávio e Vorcaro. Nos diálogos, o senador cobra dinheiro do banqueiro para bancar a produção do longa sobre a vida do pai. Após a prisão de Vorcaro, Karina afirmou que a equipe do filme precisou buscar novos investidores para dar continuidade ao projeto.

Segundo a dona da produtora, Vorcaro atuou como intermediador de verba para o longa, e não como investidor. Flávio Bolsonaro, por outro lado, se refere a Vorcaro como investidor e patrocinador do “Dark Horse”. Karina disse que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, mas sim do fundo Heavengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.

A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos em exílio auto-imposto desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio nega que a verba esteja sendo usada para outros fins além da produção do filme. A PF deve investigar o caminho do dinheiro para verificar se os recursos foram usados para custear o longa-metragem.

Antes da divulgação dos áudios, Flávio negava que o filme tivesse financiamento de Vorcaro. Após a reportagem do Intercept Brasil, ele mudou a versão e admitiu os pagamentos, mas nega irregularidades, afirmando se tratar de “patrocínio” ou “investimento”. Segundo informações publicadas pelo site e confirmadas pelo Estadão, teria havido uma negociação para que Vorcaro contribuísse com US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões), valor citado em documentos da investigação da PF sobre o caso Master.

Os valores repassados por Vorcaro para o filme “Dark Horse” superam o orçamento total de produções brasileiras como “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões), ambos sucessos que chegaram ao Oscar.

Sobre o autor: Equipe de Producao

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