03/08/2026
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Cientista chinês é investigado após morte de menina em teste genético

Cientista chinês é investigado após morte de menina em teste genético

Um cientista chinês da Universidade de Jiao Tong de Xangai está sendo investigado pela instituição após relatos de que um teste de edição genética experimental causou a morte de uma menina de seis anos. A Escola de Medicina da universidade confirmou que a morte não foi comunicada em um estudo publicado em uma revista científica.

A menina, identificada pelo pseudônimo “Mei”, morreu em março de 2025, cerca de uma semana após receber uma infusão espinal de bilhões de vírus projetados para penetrar no cérebro com fins terapêuticos. A informação é de uma investigação conjunta da revista Science e do Retraction Watch, plataforma que monitora retratações de artigos científicos. Segundo os pais, a criança teria sofrido uma reação imunológica associada ao tratamento. A terapia experimental tinha como objetivo corrigir uma condição genética rara que atrasava seu desenvolvimento cognitivo.

O neurocientista Zilong Qiu, pesquisador principal do estudo, publicou um artigo na revista Nature sobre a terapia aplicada em animais, mas não mencionou o caso de Mei. Qiu ainda não se manifestou publicamente sobre as denúncias. Em resposta, a Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai afirmou em comunicado que “criou um grupo de trabalho especial para fazer investigação exaustiva sobre o incidente”. A instituição disse que “opõe-se firmemente à realização de pesquisas científicas médicas em violação da ética da pesquisa científica” e que medidas severas serão tomadas conforme as conclusões da investigação.

Sete especialistas em genética, virologia e bioética analisaram o estudo publicado na Nature e apontaram que o cientista minimizou os riscos da terapia ao descrevê-la aos pais, ignorou sinais de alerta de estudos com animais e seguiu com o tratamento mesmo ciente do improvável sucesso. Os pais de Mei pagaram mais de 800 mil dólares para financiar o experimento e, segundo o relatório, não foram informados adequadamente sobre os riscos. Documentos oficiais indicam que o hospital permitiu o tratamento sob uma disposição regulatória que não exige aprovação de reguladores nacionais. Após a morte da criança, o hospital pagou uma multa a uma autoridade de saúde local, mas Qiu não foi sancionado publicamente.

O caso representa um novo golpe às ambições da China de rivalizar com os Estados Unidos como potência biotecnológica. Em 2018, o biofísico He Jiankui, conhecido como “Dr. Frankenstein chinês”, foi condenado a três anos de prisão por produzir em segredo bebês com genes editados. A experiência resultou em gêmeas e, depois, em um terceiro bebê de outro casal. Em setembro, o Conselho de Estado da China publicou novas regras que proíbem a modificação do DNA em células reprodutivas humanas, como espermatozoides, óvulos ou embriões. O líder chinês, Xi Jinping, estabeleceu como meta que o país esteja na liderança global da ciência e tecnologia em 2049.

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