03/08/2026
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Militância usa criatividade para vestir vermelho em convenção de Lula

Militância usa criatividade para vestir vermelho em convenção de Lula

Na convenção que lançou a candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição, neste domingo (2), na Expo Center Norte, em São Paulo, o vermelho predominou, mas não foi a única escolha dos apoiadores. Estampas de oncinha, broches, coletes de couro e chapéus Panamá também marcaram presença entre os militantes.

A jornalista Fernanda Estima, 57, dona de um brechó no centro de São Paulo, usou o vermelho de forma discreta, apenas em uma pulseira. O destaque ficou por conta da bolsa com estampa de oncinhas. Filiada ao PT desde 1989, ela afirmou que é importante usar o melhor figurino para celebrar a luta política. “Sou fanática por onças”, disse, enquanto usava um broche do animal prendendo uma gravata preta.

Fernanda lamentou o estigma em torno de quem usa estampas de onça e citou a vilã da novela das 21h, interpretada pela atriz Isabel Teixeira, que aparece com diversas peças de animal print. Para ela, a alusão aos felinos pela moda é uma forma de honrá-los. “Como o animal é feroz, representa bem esse momento político. Trouxe a onça para defender a candidatura do Lula com garras e dentes. Quando a gente se veste, é para a batalha.”

Janaina Ferrato Elias, 42, dirigente do PT em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, optou por um vestido vermelho. “Não ligo muito para o look, só pensei em vir com uma roupa vermelha para mostrar claramente o meu pensamento político. É que a cor transmite uma mensagem.”

A produtora de eventos Karine Julia Fernandes Pedroso, 29, vestiu preto da cabeça aos pés, com camiseta de manga comprida e calça pantalona. “Eu me visto mais voltada para o social, é bem importante estar apresentável.”

Já a assessora política Larissa Melo, 30, capixaba, viajou de Vitória para São Paulo na sexta-feira (31) para participar de um curso e acompanhar a convenção. Ela usou um vestido vermelho frente única, com detalhe dourado na alça, e jaqueta preta com pedrarias nas bordas. “Achei que estava muito arrumada, mas para ver meu presidente, precisava vir bem arrumada”, brincou. A indecisão sobre o que vestir fez com que a mala ficasse grande demais e precisasse ser desfeita no aeroporto. “Tive de abrir a mala ali no meio e colocar tudo em saquinhos para carregar na mão.”

As amigas Constance Salawe, 45, camaronesa que vive em São Paulo há dez anos, e Mariama Bintu Bah, 37, cofundadoras da União Africana Alkeebulan, também capricharam nas roupas. Constance usou chapéu em formato de disco e colar dourado para representar suas raízes, porque Lula “sempre fez a diferença para os imigrantes”. Mariama, que viveu muitos anos no Rio de Janeiro, vestia turbante azul-turquesa e vestido dourado com estampas. “Cresci no Rio ouvindo que o povo preto só entrou na faculdade por causa do Lula. Ele é democrático e humanista. A gente quer mais Lula.”

O funcionário público Wagner Augusto, 66, ex-metalúrgico, usou colete preto de couro sobre camisa vermelha com o rosto de Lula. Com anéis e pulseiras, o visual roqueiro foi uma referência ao motoclube do qual faz parte e uma forma de mostrar que nem todos os motociclistas são bolsonaristas. “Quando a gente vai a um evento, escolhe ir uniformizado, a caráter.”

A agricultora Vera Lúcia Ferreira Leão, 52, vereadora de Rosana, cidade a 750 km da capital, explicou a escolha do vestido verde e casaco vermelho: “Verde é vida e vermelho é sangue”. O psicólogo Eduardo Lucena Rocha, 41, usou chapéu Panamá vermelho e bandeira do PT enrolada, em homenagem ao novo adorno de Lula, que incorporou o acessório ao guarda-roupa no início do ano.

O programador Alexandre Magalhães, 32, vestiu casaco vermelho, mas camiseta simples, sem alusões ao partido, por receio de violência política no trajeto da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, até a Expo Center Norte. “Não queria andar com uma camisa vermelha em lugares onde não sabia se estaria seguro. Comprei ele pensando na esquerda.” Ele usava um boné do PT, ganho de amigos no diretório do partido no bairro. A fotógrafa e design Sthefanny Capelos, 29, vestiu macacão preto e branco pela praticidade e usava adesivos discretos de apoio a Lula.

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