02/08/2026
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Mendonça autoriza novo inquérito da PF contra Lulinha

Mendonça autoriza novo inquérito da PF contra Lulinha

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um segundo inquérito pedido pela Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Nesta nova fase, a PF investiga se Lulinha atuou junto à Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência, para favorecer um empresário. O caso começou a partir das apurações sobre desvios no INSS. Cleber, citado na investigação, teria ligação com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como chefe do esquema.

A defesa de Lulinha classificou a investigação como “pesca probatória” e afirmou que ele não agiu em benefício de ninguém em nome do governo federal. A defesa também disse que a PF não encontrou provas contra o empresário. Procurada pela Folha, a defesa ainda não respondeu. Já a defesa de Careca do INSS afirmou não ter conhecimento sobre o pedido e não comentou o assunto.

A Folha não conseguiu contato com a defesa de Cleber. Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele disse ser amigo pessoal de Lulinha, negou ter tido negócios com a Dataprev e rechaçou irregularidades na relação com o governo federal.

Este é o segundo inquérito autorizado por Mendonça em dois dias. Na véspera, o ministro já tinha liberado outra investigação para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência em tentativas de obter autorização para venda de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. Nesse caso, a suspeita é de que as negociações tenham ocorrido junto à pasta e ao gabinete da Presidência.

A defesa de Lulinha negou irregularidades e sugeriu interesse político por trás do inquérito. O presidente Lula afirmou que o filho não terá privilégios e precisará provar sua inocência. Lulinha atua no ramo de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e com Careca do INSS. O pedido de abertura do inquérito também menciona contatos entre os alvos e servidores, incluindo do gabinete de Lula.

Os investigadores apuram se Lulinha teria atuado com Roberta no mercado de canabidiol em favor da empresa World Cannabis, ligada a Careca do INSS. A defesa de Lulinha afirmou que não comentaria uma investigação da qual não teve conhecimento e questionou a competência do STF no caso. Também disse que uma nova investigação alheia à Operação Sem Desconto mostraria que falharam em encontrar ligação entre Fábio Luís e as fraudes do INSS.

A defesa de Roberta afirmou não ter informação sobre o novo inquérito e disse que os fatos já eram objeto de investigações em andamento. A defesa também questionou a reabertura do caso às vésperas do processo eleitoral, sugerindo exploração política. O Ministério da Saúde afirmou que não tem nem nunca teve contrato com a World Cannabis ou com acionistas citados e que nunca fez repasses de recursos públicos a eles.

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