09/08/2026
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Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem seis candidatos na disputa pelo governo. Os nomes confirmados pelas grandes siglas são a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). No campo progressista, o PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

Apesar das candidaturas definidas, o cenário eleitoral na capital federal ainda pode mudar até outubro. A crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de alguns candidatos e a divisão no campo progressista são fatores que devem influenciar a percepção do eleitorado nos próximos meses.

Celina Leão começa a disputa com vantagem por já ocupar o cargo. Ela tem maior visibilidade, pode apresentar as realizações de sua gestão e conta com o apoio da estrutura política construída por Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herda o desgaste da administração, especialmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra na disputa com capital eleitoral e identidade política consolidada entre parte dos eleitores. A candidatura surge como alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica que pode ser decisiva nos próximos meses.

No campo progressista, o PT lançou Grass, considerado o candidato mais competitivo da esquerda. Ele enfrenta a concorrência de Cappelli, que começou a campanha antes de consolidar a candidatura. Caputo e Belmonte aparecem como alternativas de centro à polarização.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e um prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo na instituição.

O prazo para a divulgação do balanço venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com os reguladores. Para recuperar o banco, Celina fechou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo ainda não teve resultados efetivos e não há previsão para os recursos entrarem no caixa da instituição.

Para o mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, a condição do banco deve ser tema central nas campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que uma solução anunciada e homologada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Castro alerta que uma possível liquidação teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes”, afirma.

O cientista político avalia que uma queda nas intenções de voto de Celina seria plausível. O impacto depende da proximidade do episódio em relação à eleição, da existência de perdas para correntistas e para o Tesouro distrital, do grau de responsabilidade atribuído ao governo e da capacidade da oposição de transformar a crise em desgaste político.

Arruda e a Ficha Limpa

Arruda estava inelegível desde 2014 por causa de um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, de 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF analisa os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento está suspenso desde o final de julho por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Segundo Castro, a retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações”, avalia. Nesse caso, Celina seria a principal beneficiária, pois parte dos eleitores de Arruda poderia migrar para ela por proximidade ideológica.

Essa transferência de votos, porém, não seria automática. Parte dos eleitores de Arruda pode ver a exclusão como decisão judicial injusta e adotar postura de protesto, votando em outro candidato conservador, anulando o voto ou se afastando do processo eleitoral.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli mostra a dificuldade de unidade na esquerda. Os dois disputam o mesmo perfil de eleitorado e tentam se vincular ao projeto nacional de centro-esquerda, mas partem de posições diferentes.

A divisão impede que o campo progressista concentre votos para chegar ao segundo turno. Com Celina e Arruda nas primeiras posições, a fragmentação faz com que os candidatos progressistas disputem entre si um eleitorado limitado. Duas candidaturas também significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários.

O racha dificulta a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde, desenvolvimento urbano e a crise do BRB.

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