08/08/2026
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Arábia Saudita, Turquia e Paquistão fecham pacto de defesa mútua

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão fecham pacto de defesa mútua

Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram nesta sexta-feira (7) um pacto de defesa mútua que pode alterar o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio e no Sul da Ásia. A aliança acontece em um momento de tensão na região, com o Irã atacando aliados dos Estados Unidos com drones e mísseis balísticos, em resposta a ações lideradas por Washington e Israel. Os sauditas também lidam com ameaças de grupos ligados a Teerã, como milícias no Iraque e os rebeldes houthis do Iêmen.

Na quinta-feira (6), dezenas de soldados da coalizão que apoia o governo deposto do Iêmen, sustentada por Riad, morreram em um ataque houthi. Autoridades sauditas afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã está coordenando esses ataques, o que rompe o entendimento de paz mediado pela China em 2023.

Os detalhes do acordo tríplice ainda são limitados, mas o simbolismo é grande em uma região marcada por conflitos desde o ataque do Hamas a Israel em 2023. O documento foi assinado em Meca, cidade sagrada do islamismo, reunindo três nações muçulmanas de maioria sunita. O xiismo, por outro lado, tem seu centro justamente no Irã.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do país, Asim Munir, fizeram uma peregrinação em Meca antes da chegada do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Todos foram recebidos pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

No campo militar, o acordo junta o sétimo maior orçamento de defesa do mundo, o da Arábia Saudita, ao Paquistão, que possui cerca de 170 ogivas nucleares, e à Turquia, com 355 mil soldados. No ano passado, sauditas e paquistaneses já tinham firmado um pacto de defesa mútua que, na prática, dava ao reino acesso a capacidade nuclear. Como parte desse acordo, Islamabad enviou 8.000 soldados e um esquadrão de caças para território saudita.

Os três países já mantinham laços militares. O Paquistão, que travou quatro guerras com a Índia desde 1947, presta assistência aos sauditas há décadas e também compra equipamentos militares da Turquia. Ainda não está claro se o novo arranjo trata de forma explícita do componente nuclear.

O anúncio representa um revés para Donald Trump, que pressionava Riad a normalizar relações com Israel dentro dos Acordos de Abraão. No mês passado, o ex-presidente americano ofereceu um pacto de tecnologia nuclear civil aos sauditas, mas condicionou o acordo à paz com o Estado judeu. Turquia e Paquistão são declaradamente contrários a Israel, o que afasta a possibilidade de adesão ao plano de Trump.

Para Erdogan, o pacto é uma vitória política. Em 2024, a Turquia apoiou o Azerbaijão contra a Armênia e foi peça-chave na queda do governo de Bashar al-Assad na Síria. A nova situação na Síria, com um governo de orientação islâmica, preocupa Israel, que mantém presença militar no território sírio e enfrenta os interesses turcos na região. A Rússia, que apoiava Assad, perdeu capacidade de intervenção por causa do foco na guerra com a Ucrânia. No Cáucaso, Moscou também viu sua influência na Armênia diminuir após a derrota militar do país para o Azerbaijão e a mediação de Trump no acordo de paz entre os dois lados.

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