09/05/2026
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Omissão sistêmica e fraude bancária: o caso Master

Omissão sistêmica e fraude bancária: o caso Master

O ministro do STF, Flávio Dino, questionou na semana passada como ninguém percebeu as irregularidades do Banco Master. Especialistas apontam que a fraude, considerada a mais custosa da história do país com prejuízos estimados em R$ 60 bilhões, foi possível graças a um sistema que incentiva a omissão.

Daniel Vorcaro e seus sócios, segundo análise de especialistas, não criaram esquemas inéditos. Eles se aproveitaram de falhas nos sistemas regulatório, político e jurídico que favorecem a inação em vez da denúncia. O caso veio a público com a liquidação do banco e a prisão de Vorcaro em novembro de 2024.

O advogado José Andrés Lopes da Costa, especialista em regulação bancária, aponta duas explicações para o ocorrido. A primeira é a falha individual, em que agentes não viram ou preferiram não agir. A segunda, mais técnica, sugere que os sistemas não oferecem incentivos para que se aja contra irregularidades, fazendo com que cada profissional avalie que tem mais a perder ao denunciar.

Exemplos dessa dinâmica surgiram durante o caso. Em 2024, três gestores da Caixa Asset foram afastados após emitirem um relatório contrário à compra de títulos do Master. Em 2025, o presidente da CVM, João Pedro Nascimento, renunciou após votar contra empresas ligadas ao banco. Seu substituto, Otto Lobo, reverteu o voto e foi indicado posteriormente pelo presidente Lula para o cargo definitivo.

O economista Marcos Lisboa destaca o risco de sanções para quem age preventivamente. Servidores que tentam evitar fraudes podem enfrentar processos judiciais ou questionamentos do TCU. Como exemplo, o próprio TCU questionou o Banco Central sobre a liquidação do Master, apurando possível precipitação.

Lisboa também critica a responsabilidade solidária no mercado financeiro. Segundo ele, corretoras deveriam alertar investidores sobre riscos, como os evidenciados nos balanços do Master. Entre 2020 e 2021, o banco já concentrava ativos em precatórios de liquidez incerta. Em 2023, 80% da carteira de títulos era composta por ativos de baixa liquidez. Em 2024, dos R$ 18,4 bilhões em depósitos interfinanceiros, R$ 17,9 bilhões vinham de partes relacionadas.

O economista Roberto Teixeira da Costa afirma que a fragilidade do Master era perceptível. CDBs com taxas muito acima do mercado já eram um alerta. Ele defende a revisão do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF, sugerindo que o reembolso seja de 75% do valor para obrigar os investidores a avaliar riscos.

Guilherme France, da Transparência Internacional, ressalta que a rede de influência de Vorcaro, com representantes nos três Poderes, incluindo ministros do STF e parlamentares, intimidava investigações. Para ele, a captura dos Poderes para evitar responsabilização é inédita no país.

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