O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) planeja realizar em julho de 2028 o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua. A previsão de iniciar a coleta nesse mês consta em um espaço dedicado à apresentação da pesquisa no site do instituto.
A intenção do órgão é contar pela primeira vez o número de habitantes que vivem nessa condição, além de mapear características demográficas e socioeconômicas do grupo. Conforme o site, a expectativa é realizar a operação simultaneamente em todos os municípios participantes no período de 3 a 7 de julho de 2028, adotando a virada de 2 para 3 de julho como data de referência da contagem.
O conceito a ser adotado na pesquisa será o de pessoas que dormiram em ruas, instituições ou ocupações não residenciais por pelo menos uma noite nos últimos sete dias, considerando a data de referência da coleta. Para preparar o levantamento, o IBGE usará informações dos municípios e de registros administrativos. Os dados do Censo Suas e do CadÚnico, com correções de possíveis subnumerações, serão referências importantes, segundo o site.
O site não detalha o orçamento necessário para a operação. O IBGE também depende da garantia de recursos para viabilizar outros trabalhos, como o 12º Censo Agropecuário, cuja coleta foi adiada de 2026 para 2027. Em evento de lançamento da pesquisa em Belém, o diretor de pesquisas do instituto, Gustavo Junger, afirmou que chegar ao censo da população em situação de rua será uma luta que depende de todos, devido à disputa orçamentária. Ele completou que o instituto tem um projeto consistente e condições de encerrar essa lacuna na produção estatística do país.
Especialistas apontam que a contagem enfrenta desafios pela rotatividade das pessoas sem endereço fixo. Instituições como o Ipea já publicaram trabalhos sobre o tema. Em dezembro de 2022, o Ipea estimou a população em situação de rua no Brasil em quase 281,5 mil pessoas, com crescimento de 38% na pandemia.
Censo 2022 ainda sem conclusão
O Censo Demográfico, a maior operação estatística do país, não contabiliza parte dos moradores em situação de rua. Isso ocorre porque é um levantamento domiciliar: visita lares para contar a população. Quem vive nas ruas sem domicílio não entra nas estatísticas. Já quem reside em moradias improvisadas, como barracas, pode integrar a contagem, pois há o conceito de unidade domiciliar.
Enquanto planeja o censo de rua, o IBGE ainda não terminou a divulgação do Censo Demográfico de 2022. Os microdados da pesquisa não foram publicados até o momento, e não há data prevista. Os microdados permitem análises detalhadas por acadêmicos e formuladores de políticas. A justificativa do IBGE foi um elevado risco de quebra de sigilo dos respondentes, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
A produção do Censo 2022 foi marcada por atrasos devido a restrições orçamentárias no governo Jair Bolsonaro e à mobilidade na pandemia. A pesquisa estava prevista para 2020, mas começou dois anos depois. O IBGE é presidido pelo economista Marcio Pochmann desde agosto de 2023. Sua gestão tem sido marcada por conflitos com o quadro técnico e o sindicato dos servidores. O instituto completa 90 anos em maio.
