A situação de Endrick no Real Madrid deixou de ser apenas uma disputa por posição e agora levanta dúvidas sobre como o clube trata jogadores jovens. Pela segunda vez, o atacante brasileiro aparece sem prestígio antes mesmo de ganhar uma sequência de jogos.
Na primeira passagem, sob o comando de Xabi Alonso, ele praticamente não atuou. Foi emprestado ao Lyon, onde marcou oito gols e deu nove assistências em 21 partidas. Voltou valorizado e ganhou espaço na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo.
O esperado era que recebesse confiança ao retornar a Madri. Mas o cenário mudou. José Mourinho pediu a contratação de Carlos Espí, um centroavante de força física com características parecidas com as de Adebayor. O recado é claro: Endrick não é o atacante que o treinador quer.
Há um ponto que passa despercebido. O atacante vive de confiança. Quando o treinador demonstra que acredita nele, o jogador tenta o drible, arrisca o chute e assume responsabilidades. Quando percebe que é apenas tolerado e que qualquer erro pode custar meses no banco, o futebol dele perde a espontaneidade.
É o que parece acontecer com Endrick. Ele ainda não teve, no Real Madrid, um treinador disposto a apostar nele de forma constante. Sempre precisou provar mais do que os concorrentes.
A pergunta é inevitável: Endrick foi superestimado ou está sendo vítima de decisões técnicas que nunca lhe deram a confiança necessária?
Os fatos até agora indicam a segunda opção. Quando recebeu minutos e continuidade, no Palmeiras, no Lyon e na Seleção, ele respondeu com bom desempenho. O maior risco não é Endrick fracassar. É o Real Madrid desperdiçar um talento que outros clubes gostariam de desenvolver.
