Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 59% dos eleitores brasileiros consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Outros 36% avaliam que a decisão do magistrado foi correta. Apenas 2% disseram que Moraes não agiu bem nem mal, e 4% não souberam responder.
O levantamento também aponta que 59% dos brasileiros são favoráveis à permanência de Bolsonaro em regime domiciliar. Por outro lado, 35% são contra a prisão em casa, e 6% não opinaram. O ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Preso desde novembro de 2025, primeiro na superintendência da Polícia Federal em Brasília e depois na Papudinha, Bolsonaro obteve autorização de Moraes para a prisão domiciliar em março deste ano. A decisão levou em conta seu estado de saúde. Como condição, ele está proibido de usar celular, internet ou redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados concordam que Bolsonaro não deveria ter acesso a redes sociais durante a prisão domiciliar. Para 35%, ele deveria poder usar as plataformas. Outros 3% não souberam responder.
O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026.
Moraes determinou neste mês a suspensão das visitas de Flávio ao pai por 90 dias. As visitas dos demais familiares foram suspensas por 30 dias. O ministro também vetou contatos de natureza política até as eleições e proibiu a divulgação de manifestos.
A decisão ocorreu depois que Flávio leu, em um evento no dia 11, uma carta escrita pelo ex-presidente. Ele anunciou que o texto seria divulgado nas redes sociais. Na carta, Bolsonaro chamou Flávio de seu “porta-voz” e de candidato escolhido para representá-lo.
Moraes entendeu que o episódio violou a ordem judicial que impede o ex-presidente de usar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros. O ministro afirmou que a fala de Flávio antes da leitura mostrava que ambos sabiam que a carta seria publicada.
Entre os eleitores que declararam ter votado em Lula (PT) no segundo turno de 2022, 35% acham que Moraes agiu mal ao proibir a visita. Já entre os que votaram em Bolsonaro, 32% avaliam que o ex-presidente não deveria usar redes sociais durante a prisão domiciliar. As margens de erro são de três pontos percentuais no primeiro grupo e de quatro pontos no segundo.
Com a decisão, advogados, médicos e fisioterapeutas continuam autorizados a entrar na casa onde Bolsonaro cumpre a pena, em Brasília. Flávio, mesmo inscrito como advogado do pai e com acesso livre até então, ficou pessoalmente impedido de visitá-lo.
A defesa de Bolsonaro recorreu. Os advogados afirmam que as restrições ultrapassam a suspensão dos direitos políticos e atingem a liberdade de pensamento. Eles também dizem que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral”, usada na decisão, é abstrata e não estabelece critérios claros. Flávio chamou a medida de “ilegal, desproporcional, covarde e cruel” e acusou Moraes de tentar interferir nas eleições.
Na prisão domiciliar, Bolsonaro vive com a mulher, Michelle, a filha e uma enteada. Elas não estão sujeitas às restrições de visita.
A pesquisa foi realizada antes da convenção do PL no sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio. O evento reforçou a centralidade do ex-presidente na campanha do filho, apesar da proibição de contato entre eles. Uma reprodução de Bolsonaro feita com inteligência artificial apareceu no telão para pedir que os apoiadores recebessem Flávio como seu sucessor. O candidato chorou ao falar do pai e disse que ele é perseguido e vítima de uma farsa.
O presidente argentino Javier Milei também atacou Moraes durante a convenção. Ele reclamou de não ter recebido autorização para visitar Bolsonaro. Flávio foi oficializado sem que ainda haja definição sobre o candidato a vice.
Na mesma rodada da pesquisa, Lula aparece com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 43% de Flávio. No primeiro turno, o presidente tem 40%, e o candidato do PL, 32%. O cenário de segundo turno ficou estável em relação à pesquisa anterior.
A convenção do PL buscou animar os eleitores após uma sequência de notícias negativas para Flávio, incluindo a crise com Michelle. Em junho, ela disse ter sido desrespeitada pelo enteado após criticar a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Flávio negou a acusação e pediu desculpas. A reconciliação foi anunciada em 23 de julho, quando Michelle afirmou que o perdoava e que trabalharia por sua eleição.
A relação com o eleitorado feminino é uma preocupação da campanha. Lula tem 50% das intenções de voto entre as mulheres em um eventual segundo turno, contra 40% de Flávio. Entre os homens, há empate técnico: 46% para o senador e 45% para o presidente.
