15/08/2026
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Brasileiros presos na Islândia há 2 semanas por ato contra caça de baleias

Brasileiros presos na Islândia há 2 semanas por ato contra caça de baleias

Os brasileiros Rui Amorim, 52, Vitor Young, 32, Victor Calixto, 23, e Lucas Barbosa, 28, estão presos na Islândia desde o dia 30 de julho. Eles participaram da campanha internacional Operation 86 contra a caça comercial de baleias no país nórdico.

A missão é organizada pela Captain Paul Watson Foundation, um grupo de proteção à vida marinha que realiza ações diretas no mar. Os brasileiros partiram em junho com um grupo de 21 ativistas de 11 países para monitorar a atividade de caça desses animais.

De acordo com a ONG Sea Shepherd Brasil, fundada por Paul Watson, os ativistas interceptaram uma embarcação da única empresa da Islândia que ainda comercializa carne de baleias. Em resposta, as autoridades locais teriam prendido os tripulantes em águas internacionais.

A advogada da Sea Shepherd Brasil, Fernanda Perregil, afirmou à Folha que a organização tem cobrado uma interferência do governo brasileiro para fazer a interface com o governo da Islândia. Segundo ela, os ofícios foram respondidos, mas sempre com a informação de que a situação está sendo acompanhada. A advogada destacou que os demais tripulantes da embarcação já foram liberados.

Os quatro brasileiros estão entre os últimos a serem soltos pelas autoridades islandesas, além de outras duas pessoas da Austrália. A ONG critica o que considera morosidade e omissão do governo Lula (PT) no diálogo diplomático.

O Itamaraty negou que não tenha dado atenção ao caso e informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, mantém contato com as autoridades policiais e diplomáticas da Islândia e presta assistência consular.

A Sea Shepherd Brasil protocolou no STJ (Superior Tribunal de Justiça) um mandado de segurança com pedido de liminar após cobranças ao governo federal para garantir o retorno dos brasileiros. Não há previsão de deportação deles.

Os detidos tiveram celulares e outros materiais apreendidos, ainda sem devolução. Eles estão hospedados no barco Bandero, que atuava no monitoramento da caça, e precisam se apresentar uma vez por dia às autoridades islandesas.

Perregil afirmou que a grande questão é a omissão interna do Itamaraty e do Ministério das Relações Exteriores, que seria o responsável quando há detenção de um cidadão brasileiro, podendo comprometer direitos fundamentais como a dignidade.

Cristiane Dornelas, esposa do médico de bordo Rui Amorim, disse que a comunicação com os brasileiros está difícil e que a angústia das famílias aumenta com a demora. Ela declarou que até agora não houve posicionamento do Itamaraty, que afirma estar ciente, mas as famílias querem colaboração efetiva.

No mundo, apenas Japão, Noruega e Islândia ainda permitem a captura predatória de baleias. Os dois países nórdicos fazem parte da Comissão Baleeira Internacional, que proíbe a prática desde 1986.

A baleia-de-minke (Balaenoptera acutorostrata) é o principal alvo na Noruega e na Islândia, que também caça a baleia-fin (Balaenoptera physalus), o segundo maior animal do planeta. A carne desses animais é vendida na Ásia.

Até 2018, o Japão manteve a chamada “caça científica de baleias” na Antártida, que na prática era caça comercial. O país deixou a comissão em 2019 e segue com a atividade em suas águas nacionais.

O ativista Paul Watson publicou apoio aos detidos em suas redes sociais e disse que a guarda costeira da Islândia atuou como agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. Ele afirmou que a Islândia não quer dar visibilidade às operações baleeiras de Kristján Loftsson, realizadas em desrespeito à moratória internacional, e que a empresa exerce influência sobre a guarda costeira e a polícia.

Watson ficou detido em 2024 na Groenlândia por cinco meses, devido a uma invasão a um navio de caça japonês no oceano Antártico, ocorrida em 2010. A Dinamarca rejeitou o pedido de extradição para o Japão, que continua tentando penalizar o ativista.

Watson escreveu que está confiante de que o navio Bandero será devolvido, pois não há justificativa legal para a retenção. Ele também disse ter concedido entrevistas à mídia internacional focando no que considera o verdadeiro crime: a matança de baleias.

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