09/08/2026
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Milly Lacombe: Xuxa, colã e envelhecer

Em seu retorno aos palcos, Xuxa voltou a cantar para o público que a acompanhava no final dos anos 80 e início dos 90. Essa geração, hoje com idades entre 40 e 50 anos, cresceu assistindo ao “Xou da Xuxa”, exibido pela Globo entre 1986 e 1992. Na época, era natural ver uma jovem dançando de colã nas salas de estar do país. Hoje, a mesma cena é vista como ofensiva por muitos.

A colunista Milly Lacombe argumenta que a sociedade aceita a sexualização de uma mulher de 23 anos, mas espera que uma mulher de 63 anos fique em casa, longe dos holofotes. Xuxa, assim como Madonna, decidiu desafiar essa regra e voltou a se apresentar com o mesmo figurino de outrora, cercada por suas paquitas.

O incômodo gerado pela apresentação seria a liberdade do corpo feminino envelhecido. Para Lacombe, as sociedades historicamente tentam limitar essa liberdade, e a reação ao show escancara o machismo e a misoginia. A histeria em torno do corpo de uma mulher com mais de 60 anos que canta e dança seria feita do mesmo material que aceitou o corpo de 23 anos de colã entretendo crianças.

Xuxa lotou o estádio e chorou ao falar do ódio recebido. No segundo show, optou por esconder a virilha, que causou furor na primeira apresentação. A colunista critica a hipocrisia de uma sociedade que condena o corpo da artista, mas se organiza em festas secretas com meninas e mulheres, como revelaram os casos de Epstein e Vorcaro. Para ela, o ódio fala alto, mas o amor, que fala mais baixo, ainda é maior.

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