18/07/2026
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Ligações de Shimada com tráfico e fraude do INSS

Ligações de Shimada com tráfico e fraude do INSS

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada comandava uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. Segundo o relatório, essa rede estava conectada a empresas envolvidas na fraude do INSS e na operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis.

O caso, chamado de Operação Saturno, foi enviado à Justiça Federal em maio. O motivo foi a “possível conexão probatória com investigações federais já em andamento”, devido à coincidência de investigados, estruturas empresariais e fluxos financeiros. As informações foram repassadas à Polícia Federal e fazem parte da operação que prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada, nesta sexta-feira. O empresário está foragido.

A defesa de Shimada informou que vai se pronunciar mais tarde. A Folha de S.Paulo tenta localizar os advogados de Stella. Dois dias antes da operação, ambos foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos, sob a acusação de operar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

A investigação que liga Shimada a outros casos começou em 2024, com a prisão de Alexsandro Freitas Faria, o “Leko”. Com ele, a polícia apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie e outros itens ligados ao tráfico de drogas. A perícia no celular de Leko revelou uma rede de lavagem de dinheiro com transações entre pessoas físicas e jurídicas, dificultando o rastreamento dos valores.

Nos meses seguintes, a polícia identificou os fornecedores de drogas de Leko e os operadores financeiros que movimentavam o dinheiro. Foi nesse ponto que o nome de Shimada surgiu, a partir do cruzamento de dados do celular de Leko com outras investigações. A primeira ligação envolveu a Wave Intermediações, alvo de uma operação do Gaeco sobre desvios no patrocínio da VaideBet ao Corinthians.

As investigações apontam que Shimada comandava a Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros, e a conectaram à Victory Trading, uma microempresa fundada por ele em 2021. Em novembro de 2023, a Victory se tornou sociedade limitada e aumentou seu capital social de R$ 110 mil para R$ 30 milhões. Entre novembro de 2023 e março de 2024, a empresa recebeu R$ 25 milhões da Wave Intermediações.

O relatório final do caso indica que as empresas de Shimada também estão ligadas a CNPJs envolvidos na fraude bilionária do INSS e na Operação Carbono Oculto. Segundo os investigadores, a conexão não é necessariamente direta. Ela ocorre por meio de contas “bolsão”, que são empresas e contas usadas para receber valores de várias atividades criminosas.

Parte dos operadores da rede de Shimada também aparece em outras investigações. O relatório final da CPMI do INSS, por exemplo, cita a Victory e a Wave Intermediações como parte da estrutura que recebia recursos desviados de aposentados e pensionistas. A investigação da Polícia Civil de São Paulo coloca Shimada como parte de um dos núcleos do esquema.

Esse grupo ligado a ele tem conexão com outro núcleo, que reúne empresas suspeitas de operar recursos da Arpar, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O proprietário formal da Arpar, Rodrigo Moraes, foi preso em dezembro em outra investigação federal. O relatório da Operação Saturno também cita uma ponte entre esse núcleo e a Wise Tech, que faz parte das empresas investigadas na Carbono Oculto.

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