18/07/2026
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Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga

Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga

A Avenida Comercial Norte, um dos pontos mais tradicionais do Distrito Federal, está passando por um processo de esvaziamento. As calçadas cheias e vitrines atraentes que marcaram a região como coração econômico de Taguatinga estão dando lugar a placas de “aluga-se”. O fechamento em massa de lojas preocupa moradores e comerciantes.

Para o corretor de imóveis Hélio Eustáquio da Silva, da Hélio Imóveis, o declínio é resultado de uma combinação de fatores. Ele cita os aumentos de impostos e a mudança no comportamento do consumidor. “As pessoas hoje preferem consumir em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.

Na prática, os pontos comerciais ficam vazios por mais tempo. Segundo o corretor, o tempo médio para locação na área chega a oito meses. A grande oferta de imóveis vazios dá mais poder de barganha aos interessados. “É a lei da oferta e da procura”, explica.

O corretor também critica a carga tributária. “O IPTU cobrado pelo governo é exorbitante e não reflete o estado de abandono da avenida. A conta não fecha para o empresariado”, diz.

A insegurança também afasta o público. O comerciário Alisson David, de 30 anos, conta que o movimento caiu muito. “Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa.” Ele relata que ouve relatos de assaltos na região, principalmente na Avenida Sandu.

O atendente José Pereira, que trabalha em um brechó local, diz que a presença de moradores de rua nas calçadas afasta os clientes. “As pessoas ficam com medo de entrar. Várias lojas estão fechando e esses espaços acabam sendo ocupados por quem fica na rua”, afirma. Ele cobra ações do GDF para revitalizar a região.

A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a Comercial Norte toda semana. “Antigamente tinha de tudo. Hoje, o fechamento em massa e a falta de segurança afastaram o público. O que falta é policiamento”, diz.

O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, dirige pela área diariamente. Para ele, o preço dos aluguéis está fora da realidade e contribui para o esvaziamento.

Procurada, a Administração Regional de Taguatinga informou que não tem um mapeamento do número de lojas fechadas. O administrador afirma que a crise reflete uma mudança iniciada na pandemia, quando muitos lojistas migraram para o comércio eletrônico ou se mudaram para shoppings e regiões vizinhas, como Águas Claras e Vicente Pires. A Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) para revitalizar a área.

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